PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 19 de julho de 2026
Economia

Governo revisa para 5,1% projeção da inflação em 2026, acima do teto da meta estabelecida

O Ministério da Fazenda anunciou uma elevação na estimativa da inflação oficial para o ano de 2026, que passou de 4,5% para 5,1%, ultrapassando o limite superior da meta estabelecida pelo sistema de metas contínuas adotado em 2025. O objetivo central do regime é manter a inflação em torno de 3%, com uma margem de tolerância entre 1,5% e 4,5%.

Essa atualização consta no “Boletim MacroFiscal” divulgado pela Secretaria de Política Econômica (SPE), que destaca a persistência das pressões inflacionárias, especialmente relacionadas aos preços dos alimentos, e os efeitos decorrentes do conflito no Oriente Médio sobre a economia global.

Fatores que influenciam a inflação

Embora o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha mostrado desaceleração em junho, os alimentos continuam sendo o principal componente responsável pela elevação da inflação acumulada no ano. O Ministério da Fazenda ressalta que as medidas tomadas em resposta a eventos extraordinários, como a guerra no Oriente Médio, permanecem em níveis superiores ao padrão histórico.

Entre os riscos destacados está a fragilidade do cessar-fogo na região, que pode ser interrompido, elevando os preços do petróleo devido à maior demanda para recomposição de estoques e aos danos na infraestrutura local. Além disso, o repasse dos preços do atacado para o consumidor final e a possibilidade de um El Niño mais intenso, que tende a afetar a safra de 2027, são apontados como fatores que podem manter a inflação pressionada nos próximos meses.

Perspectivas para o crescimento econômico

Apesar da desaceleração observada na economia, a previsão para o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 foi mantida em 2,3%, mesma taxa projetada para 2025. Indicadores econômicos recentes, como o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), registraram avanço de 1,2% no trimestre encerrado em abril, em ritmo semelhante ao trimestre anterior.

A indústria segue como principal motor do crescimento, com aceleração trimestral até maio, apesar de uma leve retração mensal nesse período, influenciada pelo desempenho da atividade extrativa e da transformação industrial.