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Internacional

Itamaraty confirma mortes de brasileiros em ataque no sul do Líbano durante cessar-fogo fragilizado

O Ministério das Relações Exteriores confirmou a morte de três brasileiros em decorrência de ataques militares no sul do Líbano. Entre as vítimas estão o menino Ali Ghassan Nader, de 11 anos, sua mãe, Manal Jaafar, brasileira, e o pai, Ghassan Nader, libanês. Enquanto o corpo do garoto já foi sepultado, os corpos dos pais ainda não foram encontrados, devido à intensidade do bombardeio que destruiu a residência da família.

De acordo com relatos do tio das vítimas, Bilal Nader, a família não residia mais na casa atingida, mas retornou ao local durante o cessar-fogo vigente para recolher pertences. No momento da visita, um novo ataque atingiu a residência, provocando a morte de Ali e deixando ferido o filho mais velho do casal, que passa por recuperação.

O Itamaraty informou que a residência estava situada na região de Bint Jeil, no sul do Líbano, área marcada por confrontos entre o Exército israelense e o grupo Hezbollah, aliado ao Irã. A embaixada brasileira em Beirute mantém contato com os familiares para oferecer suporte e acompanhamento da situação.

Contexto do conflito e cessar-fogo

Apesar da trégua iniciada em 16 de abril e prorrogada até pelo menos a segunda quinzena de maio, os confrontos entre Israel e o Hezbollah persistem. Na data do ataque que resultou nas mortes, o Exército israelense lançou novas ofensivas na região, que causaram ao menos 14 mortes e 37 feridos, segundo informações locais.

O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, manifestou veemente condenação às violações do cessar-fogo por ambos os lados, ressaltando o impacto sobre civis, incluindo mulheres e crianças. O Brasil também defende a retirada imediata das tropas israelenses do Líbano e a extensão do cessar-fogo para garantir a soberania libanesa.

O acordo de cessar-fogo permite, entretanto, que Israel realize operações contra o Hezbollah, o que tem contribuído para a fragilidade da trégua. A prorrogação do cessar-fogo foi anunciada pelos Estados Unidos, buscando conter a escalada do conflito, mas os confrontos continuam a afetar a população civil na região.