A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou dois vídeos, totalizando mais de 26 minutos, nos quais aborda conflitos pessoais com o senador Flávio Bolsonaro e esclarece sua posição diante da pressão para atuar na campanha eleitoral do PL, especialmente junto aos segmentos evangélicos e femininos.
Segundo relatos de membros do PL e pessoas próximas a Michelle, a divulgação dos vídeos ocorre em um contexto de crescente cobrança para que ela se engaje na tentativa de recuperar a base de apoio de Flávio entre esses grupos, após os resultados da pesquisa Quaest divulgada em junho indicarem perda de intenção de voto, reflexo das revelações envolvendo encontros do senador com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, caso conhecido como escândalo do filme ‘Dark Horse’.
Contexto e desentendimentos
Nos vídeos, Michelle relata ter sido humilhada por Flávio, citando declarações dele que minimizam seu conhecimento político e seu tempo de envolvimento com o partido. A ex-primeira-dama afirma que, apesar de perdoar, não pretende retomar o relacionamento político ou pessoal com o senador, destacando que não mantêm contato desde o final de 2025.
A disputa familiar também envolve divergências sobre a estratégia eleitoral do PL no Ceará, onde o partido buscou aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), figura crítica ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Michelle criticou publicamente essa negociação, ressaltando a contradição entre o posicionamento anterior de Ciro Gomes e a aliança pretendida pelo PL.
Relações institucionais e posicionamento político
Entre os membros da família Bolsonaro, Michelle é apontada como o elo com o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, responsável pela relatoria do caso envolvendo o Banco Master. Apesar das pressões para atuar como interlocutora junto ao eleitorado evangélico, ela descartou essa possibilidade após as publicações, reafirmando sua decisão de não se envolver na campanha de Flávio.
