PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 21 de junho de 2026
Brasil

Monitoramento registra teju predando filhote de tartaruga em Fernando de Noronha

Em Fernando de Noronha, armadilhas fotográficas instaladas pelo Centro Tamar e pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) captaram imagens de um teju predando um filhote de tartaruga-verde (Chelonia mydas) na Praia do Leão. O registro foi realizado durante o monitoramento dos ninhos de tartarugas marinhas na região, iniciado em abril deste ano nas praias do Parque Nacional Marinho.

As câmeras automáticas, conhecidas como trap, são acionadas por sensores de movimento e possibilitam a captura de fotos e vídeos tanto durante o dia quanto à noite. O oceanógrafo voluntário Tunan Tomé, que atua nas instituições responsáveis pelo monitoramento, informou que a presença do teju em torno dos ninhos é frequente, e apenas em três ocasiões foi possível comprovar a predação direta dos filhotes.

Espécie invasora e impacto ecológico

O teju (Salvator merianae), maior lagarto das Américas, é uma espécie exótica invasora em Fernando de Noronha, possivelmente introduzida no início do século XIX. Sua presença tem causado desequilíbrios ecológicos, afetando espécies nativas e endêmicas, incluindo a tartaruga-verde, única espécie reprodutiva na ilha. O animal possui hábitos necrófagos e se alimenta de ovos e filhotes em decomposição, além de outras espécies locais como aves, lagartixas e caranguejos.

Conforme o oceanógrafo Cláudio Bellini, as armadilhas fotográficas têm contribuído para o entendimento das dinâmicas ecológicas e do comportamento predatório do teju nas praias de desova. Ainda segundo Bellini, o controle da população dessa espécie invasora é realizado pelo Programa de Manejo de Exóticas e Invasoras do ICMBio, que visa a erradicação do lagarto para preservar a biodiversidade local.

Desafios e ações de manejo

O controle do teju em Fernando de Noronha enfrenta desafios financeiros e técnicos. O voluntário Tunan Tomé destacou a necessidade de parcerias e investimentos para ampliar as ações de manejo, incluindo a aquisição de armadilhas e a contratação de pessoal especializado. A predação dos ninhos é apenas um dos impactos dessa espécie invasora, reforçando a importância do monitoramento contínuo como ferramenta de avaliação e conservação.