Em 25 de março de 2026, a Assembleia Geral das Nações Unidas aprovou uma resolução histórica que classifica o tráfico de africanos escravizados como o crime mais grave já cometido contra a humanidade. A proposta, apresentada pelo governo de Gana, recebeu apoio de 123 dos 193 países-membros, incluindo o Brasil. Houve 52 abstenções, entre elas o Reino Unido e todos os países da União Europeia, e apenas três votos contrários, provenientes da Argentina, Estados Unidos e Israel.
A resolução reconhece o tráfico forçado de aproximadamente 12,5 milhões de africanos sequestrados e transportados para as Américas durante cerca de quatro séculos. O Brasil foi o principal destino dessa população escravizada, recebendo quase cinco milhões de pessoas. Além do reconhecimento histórico, o documento da ONU exige a implementação de reparações para as vítimas e seus descendentes.
Contexto Histórico e Análises
Para aprofundar o entendimento sobre a dimensão e as consequências desse crime, a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, doutora pela USP e professora da Universidade Federal Fluminense, detalha as etapas que estruturaram a economia da escravidão: a captura na África, o transporte nos navios negreiros e o trabalho compulsório nas Américas, com ênfase no Brasil. Ela também destaca as diversas formas de violência e opressão sofridas pelas pessoas escravizadas.
Ynaê Lopes dos Santos aponta que a resolução da ONU pode representar um passo importante para a justiça histórica, ao abrir caminhos para o debate sobre reparações e reconhecimento das violações sofridas durante o período escravagista.
Repercussões e Posicionamentos
O posicionamento adotado pela ONU marca um avanço na compreensão global sobre o impacto do tráfico transatlântico de africanos. A rejeição da resolução por alguns países, especialmente os Estados Unidos durante a administração Trump, foi justificada por argumentos que questionavam a classificação do tráfico como crime hediondo, embora tais justificativas não tenham prevalecido na votação.
O debate segue aberto sobre as medidas concretas que poderão ser adotadas para efetivar as reparações e promover o reconhecimento pleno das consequências históricas desse crime, com especialistas e governos acompanhando os desdobramentos.
