O assistente de inteligência artificial OpenClaw tem ganhado destaque na China, onde usuários personalizam a ferramenta para atender a diferentes demandas, processo popularmente apelidado de “criar lagostas”. Desenvolvido com código aberto pelo austríaco Peter Steinberger, o OpenClaw se tornou uma alternativa importante no país, já que modelos ocidentais como ChatGPT e Claude não estão amplamente disponíveis no mercado chinês.
Usuários de diversos perfis, desde estudantes até profissionais e aposentados, têm explorado o potencial do OpenClaw. Um exemplo é Wang, um engenheiro de TI que utiliza o assistente para gerenciar uma loja digital no TikTok, plataforma cuja comercialização é restrita na China. Ele relata que a ferramenta consegue realizar em minutos tarefas que normalmente demandariam horas, como criar centenas de anúncios com títulos, descrições e ajustes de preço, otimizando sua operação.
Contexto e incentivo governamental
O crescimento do OpenClaw ocorre em meio a um cenário de investimentos estratégicos da China em inteligência artificial, com o governo incentivando a integração da IA em setores variados, como manufatura, transporte e saúde. Cidades como Wuxi têm oferecido subsídios significativos para o uso da tecnologia em aplicações industriais e empresariais. Essa política faz parte da iniciativa nacional conhecida como “AI Plus”, que busca aplicar inteligência artificial de forma ampla na economia do país.
Apesar da rápida difusão e entusiasmo, as autoridades chinesas também têm demonstrado preocupação com questões de segurança cibernética. Recentemente, órgãos governamentais alertaram para os riscos relacionados à instalação e uso inadequado do OpenClaw, resultando em proibições em algumas instituições públicas. Esse movimento exemplifica a característica de controle rigoroso do sistema político chinês, que equilibra estímulo à inovação e supervisão estrita.
Impactos sociais e econômicos
O avanço do OpenClaw e de outras plataformas de IA tem provocado transformações no mercado de trabalho, especialmente entre os jovens, cuja taxa de desemprego ultrapassa 16%. Startups individuais, muitas vezes geridas por jovens empreendedores, têm recebido apoio governamental para desenvolver soluções baseadas em inteligência artificial. Essa dinâmica é vista como uma resposta às dificuldades de inserção profissional em um cenário competitivo.
Ao mesmo tempo, cresce a pressão sobre profissionais para se adaptarem ao uso de ferramentas de IA, visto como requisito para manter a empregabilidade. Embora haja apreensão sobre a substituição de funções humanas, usuários como Wang demonstram a possibilidade de utilizar a tecnologia para aprimorar negócios e buscar novas oportunidades.
