PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO terça-feira, 1 de setembro de 2026
Brasil

Professor universitário adota método para identificar uso de inteligência artificial e reprova maioria dos alunos

O historiador Dr. Jason Gibson, professor da Alcorn State University, no Mississippi, Estados Unidos, implementou uma estratégia para identificar o uso de inteligência artificial (IA) em trabalhos acadêmicos, o que resultou na reprovação de 32 dos 35 alunos avaliados. A iniciativa foi detalhada pelo docente em vídeos publicados no TikTok, onde explicou o método aplicado em uma redação sobre a Revolução Industrial.

Para detectar a utilização de ferramentas como o ChatGPT na elaboração das respostas, o professor inseriu uma instrução oculta no enunciado da avaliação. A frase, escrita em fonte branca sobre fundo branco, orientava que a palavra “Madagascar” fosse incluída em um trecho do texto, de forma sem sentido. Essa orientação, invisível para quem apenas leu o enunciado na tela, era copiada integralmente por aqueles que transferiram o texto para a inteligência artificial, sendo incorporada nas respostas geradas.

O resultado da estratégia foi evidente nas redações entregues, que continham frases absurdas como “Madagascar flutua de lado durante a tarde” ou “A bicicleta roxa de Madagascar sussurra para o teto”. Segundo Gibson, isso indicou que muitos alunos não revisaram os textos produzidos pela IA antes da entrega.

Após a correção, o professor comunicou os motivos das reprovações aos estudantes, destacando a instrução oculta e explicando a dinâmica da avaliação. Ele também permitiu que os alunos recorressem das notas caso considerassem a decisão injusta. Apenas dois alunos entraram em contato, e um conseguiu reverter a reprovação ao justificar que utilizava o modo escuro no dispositivo, o que permitia a visualização do texto branco.

Questões relativas à acessibilidade foram levantadas nas redes sociais, especialmente sobre o possível impacto da técnica em alunos com deficiências visuais que dependem de leitores de tela. Gibson afirmou que nenhum estudante daquele grupo utilizava tecnologias assistivas.

O professor reforçou que seu objetivo não foi punir, mas preservar a integridade acadêmica diante dos desafios impostos pela incorporação da inteligência artificial na educação. Ele destacou a necessidade de debates e pesquisas para estabelecer práticas adequadas no uso dessas tecnologias no ambiente universitário.