Localizado no distrito de Caiçarinha da Penha, a 43 quilômetros de Serra Talhada, o Instituto Serra Grande desenvolve desde 2019 um projeto socioambiental que integra recuperação ambiental da Caatinga e atividades agroecológicas. A iniciativa reúne 40 famílias das comunidades de Barreiros e Santana, com foco na restauração de áreas degradadas e geração de renda por meio do aproveitamento sustentável dos recursos naturais do bioma.
O projeto utiliza um sistema agroflorestal que combina o cultivo de espécies nativas da Caatinga com plantações de feijão, mandioca e outras culturas adaptadas. Essa técnica contribui para a recuperação do solo, que foi prejudicado por práticas agrícolas tradicionais de queima e compactação, além de prevenir erosões ao melhorar a infiltração da água da chuva. Atualmente, o sistema ocupa uma área experimental de 2,5 hectares, com previsão de expansão para 200 hectares, mantendo o equilíbrio ambiental.
As mulheres da comunidade, lideradas pela agricultora Creuza Ferraz, de 69 anos, são responsáveis pela produção artesanal de doces, geleias, conservas e bebidas fermentadas a partir de frutos típicos da Caatinga, como umbu, caju e alecrim do mato. A produção diária chega a 50 potes, comercializados em feiras locais e pela internet, fortalecendo a agricultura familiar e promovendo a valorização dos saberes tradicionais.
O coordenador do projeto, Álvaro Severo, destaca a importância da biodiversidade para a recuperação do bioma, ressaltando que a soltura de mais de 2 mil animais nativos, em parceria com o Ibama, é fundamental para o processo de “recaatingamento”. A dispersão de sementes por aves e outros animais favorece o crescimento de uma vegetação diversificada e resistente, essencial para a regeneração da Caatinga.
Além das atividades produtivas, o Instituto Serra Grande promove ações de educação ambiental junto às comunidades vizinhas, incluindo rodas de diálogo e cursos. Um dos participantes, Ivair de Lima, relata mudança de percepção ao compreender o papel dos animais silvestres no ecossistema, abandonando o hábito de manter pássaros em cativeiro para contribuir com a conservação do meio ambiente.
O projeto destaca-se como um modelo de integração entre conservação ambiental e desenvolvimento socioeconômico, evidenciando a importância de práticas sustentáveis para a preservação da Caatinga e o fortalecimento das comunidades rurais no Sertão pernambucano.
