PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Registro raro reforça necessidade de preservar ave endêmica e vulnerável da Amazônia

Com tamanho reduzido — cerca de 17 centímetros e 31 gramas — a choca-de-garganta-preta é uma ave singular que habita exclusivamente a região amazônica. Seu registro é escasso, e muitas características de seu comportamento, como hábitos reprodutivos e locais de nidificação, permanecem desconhecidas. A espécie está classificada como vulnerável devido ao risco elevado de extinção, agravado pelo avanço do desmatamento em áreas específicas onde ela ocorre.

O biólogo Wellington Nascimento, que atua como guia de observação de aves, destaca a importância da conservação da floresta amazônica para garantir a sobrevivência não apenas desta ave, mas de diversas outras espécies ainda pouco estudadas. Segundo ele, a perda do habitat pode levar ao desaparecimento de animais antes mesmo de serem adequadamente compreendidos pela ciência.

Características e habitat restrito

Conhecida em inglês como “Rondônia Bushbird”, a choca-de-garganta-preta tem sua distribuição limitada ao interflúvio dos rios Madeira e Tapajós. Em Rondônia, registros anteriores haviam sido realizados em municípios como Ji-Paraná e Machadinho do Oeste. O recente avistamento em Porto Velho, obtido durante o evento mundial de observação de pássaros “Big Day”, representa uma oportunidade rara para o estudo da espécie.

O nome popular da ave decorre da coloração distinta entre os sexos: as fêmeas apresentam plumagem castanho-amarronzada com garganta preta, enquanto os machos são inteiramente pretos. O bico adaptado para perfurar bambus permite que se alimente de insetos, especialmente formigas, que vivem dentro desses vegetais. No entanto, detalhes sobre sua alimentação e moradia ainda são limitados, e ninhos nunca foram encontrados.

Observação e registro recente

Durante o evento de observação, os biólogos utilizaram uma caixa de som para reproduzir o canto característico da espécie, uma série de assobios discretos que podem passar despercebidos. Essa estratégia facilitou a resposta vocal da ave e possibilitou sua visualização e documentação fotográfica e em vídeo. Para os pesquisadores, o registro em Porto Velho é uma confirmação importante da presença da espécie em áreas urbanas próximas à floresta.

O caso reforça a necessidade de políticas públicas e iniciativas de conservação que protejam os habitats naturais da Amazônia, fundamentais para a manutenção da biodiversidade regional e global.