PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Série Especial da TV Fronteira Analisa a Biodiversidade e os Desafios Ambientais na Foz do Rio do Peixe

A TV Fronteira lançou uma série especial intitulada “Pantaninho Paulista”, composta por três reportagens que exploram a situação ambiental da foz do Rio do Peixe, localizada na divisa entre os municípios de Presidente Epitácio e Panorama, no Oeste Paulista. A série é exibida no programa Fronteira Notícias 2ª Edição, com episódios transmitidos em sequência entre os dias 3 e 5 de janeiro.

Contexto e biodiversidade local

A primeira reportagem apresenta o Parque Estadual do Rio do Peixe, uma unidade de conservação criada há 20 anos para proteger o rio e sua biodiversidade. O local abriga um ecossistema pantanoso que, desde a década de 1990, tem sofrido alterações no curso do rio, resultando na formação de múltiplos canais e em um ambiente de grande riqueza natural, com diversidade significativa de aves, répteis e anfíbios.

Durante cerca de dois meses de produção, a equipe da TV Fronteira realizou expedições de barco ao longo de aproximadamente 15 quilômetros do rio, registrando a fauna e a flora locais. O repórter Murilo Zara destacou que, apesar de ser natural da região e experiente em reportagens ambientais, a imersão no Pantaninho Paulista revelou uma realidade pouco conhecida pela população.

Desafios e ações de preservação

A segunda reportagem aborda a interação entre o meio ambiente e a sociedade local, ressaltando os esforços para incentivar o turismo ecológico e a conscientização ambiental. O gestor do parque, Jeferson Bolzan, enfatizou a importância de aproximar a população das iniciativas de conservação e da recuperação da mata ciliar que protege o ecossistema do Pantaninho Paulista.

Ao mesmo tempo, especialistas alertam para as pressões sofridas pela região, incluindo assoreamento, uso inadequado do solo, aplicação de agrotóxicos e a presença de gado e animais domésticos. Segundo Djalma Weffort, presidente da Associação em Defesa do Rio Paraná, Afluentes e Mata Ciliar (Apoena), a área carece de políticas públicas eficazes e de uma mobilização mais ampla da sociedade para restaurar e conservar o ambiente, cujo estado atual está abaixo dos parâmetros legais para proteção ambiental.

Fiscalização e perspectivas futuras

A terceira parte da série enfatiza a necessidade de uma fiscalização mais efetiva e colaborativa para garantir a proteção do rio e de sua biodiversidade. O pesquisador e fotógrafo Peter Mix ressaltou a importância do engajamento público e da pressão sobre proprietários rurais e autoridades locais para que as ações de restauração sejam acompanhadas por monitoramento rigoroso.

Complementando essa visão, o doutor em Ciências Ambientais Paulo César Rocha aponta que as alterações no curso do Rio do Peixe são evidentes e podem estar relacionadas a intervenções humanas, como o uso do solo que favorece o escoamento superficial e o aumento da sedimentação, dificultando a dinâmica natural do rio.

Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo informou que as ações de gestão do Rio do Peixe são coordenadas pelo Comitê das Bacias Hidrográficas dos Rios Aguapeí e do Peixe. O Parque Estadual do Rio do Peixe protege cerca de 10% da extensão do rio e atua na preservação dos ecossistemas de várzea remanescentes, com investimentos superiores a R$ 4,5 milhões em restauração ecológica, incluindo o plantio de 360 mil mudas em mais de 230 hectares.

Além disso, a região é beneficiada pela cobertura integral de tratamento de água e esgoto nas sedes municipais atendidas pela Sabesp, o que contribui para a qualidade dos corpos hídricos locais, incluindo o Rio do Peixe.