O Museu Britânico, responsável por um dos maiores acervos históricos do mundo, realizou recentes modificações em suas exposições que substituem o termo “Palestina” por “Canaã” em algumas descrições de artefatos e mapas. A mudança tem gerado reações críticas e protestos, principalmente relacionados à representação histórica e à precisão terminológica sobre a região do Levante durante a Idade do Bronze Tardia.
Segundo o museu, a alteração visa maior rigor acadêmico, já que “Canaã” seria uma designação mais adequada para o território no final do segundo milênio antes de Cristo. Ainda assim, a instituição mantém o uso do termo “Palestina” em outras galerias, especialmente para períodos históricos e contextos contemporâneos. Muitos dos objetos em exibição foram coletados durante o Mandato Britânico da Palestina (1922–1948), o que adiciona complexidade à contextualização dos nomes geográficos.
O debate ganhou contornos políticos, pois um grupo de advogados pró-Israel questionou o uso de “Palestina” para épocas em que, segundo eles, tal entidade não existia, argumentando que tal terminologia poderia distorcer a história de Israel e do povo judeu. O museu, por sua vez, nega que as mudanças tenham sido feitas sob pressão externa e destaca que as revisões foram realizadas de forma independente e com base em critérios científicos.
Especialistas da área, como o arqueólogo e museólogo palestino Ayman Warasneh, apontam que embora o termo “Canaã” seja de fato mais preciso para o período mencionado, a substituição não foi acompanhada por justificativas claras ou novas descobertas científicas que respaldem a alteração. Ele ressalta ainda a importância da transparência nas mudanças, especialmente em contextos politicamente sensíveis, para preservar a confiança do público nas instituições culturais.
Este episódio não é isolado, já que outras instituições museológicas e acadêmicas, como a Open University no Reino Unido e o Royal Ontario Museum no Canadá, enfrentaram pressões semelhantes relacionadas à nomenclatura histórica da região. A situação evidencia os desafios enfrentados por museus ao lidar com a interseção entre ciência, história e disputas políticas contemporâneas, principalmente em períodos marcados por conflitos e tensões geopolíticas.
