O governo brasileiro adotou medidas preventivas após a identificação de vulnerabilidades graves na linguagem de programação PHP, amplamente utilizada em sistemas públicos e privados. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e diversos tribunais federais suspenderam temporariamente o acesso externo ao Sistema Eletrônico de Informações (SEI), plataforma que gerencia processos administrativos digitais, para resguardar a integridade dos dados e realizar avaliações de segurança.
O PHP, software gratuito e de código aberto, é responsável pela execução de códigos em cerca de 70% dos sites na internet, incluindo plataformas como Facebook, Wikipedia, WordPress, Moodle e Magento. As falhas detectadas podem permitir que agentes maliciosos tomem controle dos servidores sem necessidade de autenticação, representando um risco significativo para a segurança dos sistemas afetados.
O alerta foi divulgado pelo Centro Integrado de Segurança Cibernética do Governo Digital (CISC) e reforçado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), que orientaram a atualização imediata dos sistemas públicos que utilizam PHP. O Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos (MGI) comunicou a retirada temporária dos sistemas desenvolvidos nessa linguagem até a aplicação das correções necessárias.
Impactos e medidas adotadas
Além da Anatel, os Tribunais Regionais Federais da 1ª, 4ª e 6ª Regiões confirmaram a suspensão do acesso externo ao SEI, destacando o caráter preventivo da ação para evitar comprometimentos das informações institucionais. Até o momento, não foram reportados incidentes de grande impacto no Brasil relacionados à vulnerabilidade.
Internacionalmente, outras instituições governamentais também desativaram temporariamente seus sistemas. Nos Estados Unidos, a Agência de Segurança Nacional (NSA) recomendou a correção imediata ou desligamento dos sistemas vulneráveis, enquanto na França, a Agência Nacional de Cibersegurança solicitou a suspensão de sites administrativos após a detecção das falhas.
Origem e detecção das vulnerabilidades
As falhas foram reportadas inicialmente em agosto por empresas especializadas em segurança cibernética, incluindo a Calif e a OpenAI, que as identificaram de forma independente. Posteriormente, a empresa Wiz revelou outras formas de exploração dessas vulnerabilidades. A descoberta foi possível graças ao uso de inteligência artificial, utilizando modelos avançados como Gemini 4 Argon, do Google, e GPT-5.6 Sol, da OpenAI, que facilitaram a identificação de problemas que permaneceram ocultos por mais de uma década devido à complexidade técnica.
