Os preços do petróleo Brent, principal referência internacional, superaram novamente a marca de US$ 100 por barril nesta sexta-feira (13), em meio a preocupações crescentes sobre a estabilidade do fornecimento energético global devido às tensões no Oriente Médio. O barril chegou a ser cotado a US$ 100,30, enquanto o tipo WTI, negociado nos Estados Unidos, atingiu US$ 95,98.
Após uma leve correção durante o dia, os valores permaneceram próximos a esses patamares, refletindo a volatilidade provocada por ameaças como o possível fechamento do Estreito de Ormuz, rota estratégica para o transporte mundial de petróleo. Desde o início do conflito regional, a commodity acumula alta de aproximadamente 40%, partindo de cerca de US$ 60 no início do ano.
Intervenção dos EUA e cenário global
Como tentativa de mitigar a pressão sobre os preços, o Tesouro dos Estados Unidos autorizou uma licença temporária de 30 dias para que países adquiram cargas de petróleo e derivados russos já embarcados até 12 de março, buscando aliviar a escassez no mercado. Apesar dessa medida, o mercado continua atento às evoluções do conflito e aos riscos de interrupções no fluxo energético.
Essa conjuntura tem repercussão direta nos mercados financeiros e nas expectativas econômicas globais. A alta do petróleo reacendeu temores inflacionários, especialmente nos Estados Unidos, onde as projeções para cortes nas taxas de juros pelo Federal Reserve foram revisadas para níveis inferiores aos esperados anteriormente.
Repercussões no Brasil e resposta governamental
O aumento internacional do preço do petróleo motivou o governo brasileiro a anunciar um pacote de medidas para conter o impacto no preço do diesel, combustível crucial para o transporte de cargas e que influencia diretamente a inflação de diversos setores. Entre as ações, destacam-se a suspensão temporária das alíquotas do PIS e Cofins sobre o diesel e a criação de uma subvenção financeira para produtores e importadores do combustível, com previsão de redução de cerca de R$ 0,64 por litro.
Para compensar a perda de receita decorrente dessas medidas, foi instituído um imposto de 12% sobre a exportação de petróleo, visando capturar parte dos ganhos extraordinários gerados pela alta da commodity no mercado internacional. A Petrobras informou que seu conselho de administração aprovou a adesão ao programa governamental, embora a implementação dependa da regulamentação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) e da definição do preço de referência para operacionalizar a subvenção.
A estatal ressaltou que continuará adotando uma estratégia comercial focada na participação de mercado, otimização das refinarias e busca por rentabilidade sustentável, evitando repasses imediatos das oscilações internacionais para os preços domésticos.
