Aliados do senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmam que ele deliberadamente preservou a relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro para ultrapassar o prazo legal de desincompatibilização, evitando pressões internas para a substituição de sua candidatura. A estratégia teria sido adotada mesmo após a revelação de encontros entre os dois, inclusive após a prisão de Vorcaro.
Recentemente, o senador reafirmou ao partido que sua candidatura permanece confirmada, descartando a existência de um plano alternativo. Internamente, Flávio Bolsonaro negou vulnerabilidades relacionadas ao caso Master, que ganhou destaque no Congresso após o Carnaval, e também desmentiu publicamente qualquer ligação com Vorcaro, apesar de informações que indicam a presença do seu número na agenda do ex-banqueiro.
Contexto da relação e impacto político
Daniel Vorcaro financiou a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, e Flávio chegou a cobrar o pagamento das parcelas atrasadas em 2025. Mesmo após a prisão de Vorcaro, o senador visitou-o em São Paulo, fato que, conforme avaliação de parlamentares do PL, teria gerado forte pressão para que Flávio fosse substituído pelo governador Tarcísio de Freitas caso tivesse sido divulgado antes do prazo de desincompatibilização, em abril.
Aliados indicam que, após o prazo, o senador ficou sem condições políticas para justificar o atraso na divulgação das informações, o que levou o partido a uma postura defensiva diante da exposição midiática dos fatos. O silêncio de Flávio entre novembro, quando Vorcaro foi preso, e o Carnaval, também chamou atenção, especialmente porque o senador esteve ausente do país por cerca de três semanas, em viagens à França e ao Oriente Médio.
Essa ausência prolongada foi interpretada por interlocutores próximos como uma forma de evitar o tema, já que o senador havia sido recentemente lançado como candidato à presidência. A estratégia, contudo, acabou por não impedir a repercussão negativa dentro do PL e no cenário político mais amplo.
