PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de julho de 2026
Brasil

Projeto em Fernando de Noronha utiliza réplica de tartaruga para estudar comportamento de tubarões-tigre

O Projeto Tubarões e Raias, em Fernando de Noronha, desenvolveu uma iniciativa para analisar o comportamento dos tubarões-tigre na Baía do Sueste por meio do uso de uma isca artificial em formato de tartaruga juvenil. Esta ação integra um estudo que apoia o Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) no estabelecimento de normas para a visitação da área, que está com o banho de mar proibido desde janeiro do ano anterior, em decorrência de um ataque ocorrido naquela localidade.

Metodologia e objetivos do estudo

A isca, produzida em espuma vinílica acetinada e idealizada pelo pesquisador Alexandre Rodrigues, foi introduzida no mar em 15 de fevereiro. O monitoramento é complementado por imagens aéreas captadas por drone, viabilizadas pelo documentarista e integrante do projeto Fábio Borges. O foco principal é observar a aproximação dos tubarões-tigre, identificar características individuais como tamanho, sexo e marcas, e verificar se os mesmos indivíduos retornam à região com regularidade.

Além disso, o estudo visa avaliar se os tubarões utilizam a visão para identificar suas presas, considerando o formato da isca que simula uma tartaruga, espécie que compõe a cadeia alimentar desses predadores. Caso ocorram mordidas na réplica, os pesquisadores poderão analisar o padrão da mordida e comparar com dados internacionais para compreender melhor a interação entre as espécies.

Contexto e relevância da pesquisa

O período de reprodução das tartarugas marinhas é apontado como um momento em que a presença dos tubarões-tigre na ilha aumenta, o que pode influenciar o número de encontros entre essas espécies. Os especialistas também destacam que incidentes envolvendo tubarões e humanos, como o ataque que motivou a proibição do banho na Baía do Sueste, geralmente resultam de equívocos dos animais ao identificarem potenciais presas.

Para o coordenador de Pesquisa, Monitoramento e Manejo do ICMBio, Ricardo Araújo, a continuidade de estudos que ampliem o conhecimento sobre a fauna local, sem colocar em risco os animais ou visitantes, é fundamental para o aprimoramento das políticas de conservação e manejo da área.