A Polícia Federal (PF) está prestes a abrir três inquéritos para apurar suspeitas envolvendo o financiamento do filme ‘Dark Horse’, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. As investigações se concentrarão em repasses financeiros, a destinação dos recursos e a relação com emendas parlamentares destinadas a entidades associadas à produtora do longa.
Um dos focos principais é a análise dos repasses no valor de R$ 61 milhões feitos por Daniel Vorcaro, ex-proprietário do Banco Master, a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O montante teria sido direcionado a um fundo para financiar o filme nos Estados Unidos, por meio de uma empresa suspeita de integrar um esquema de fraudes ligado ao banco.
Relatoria e desdobramentos
O Supremo Tribunal Federal (STF) definiu que o ministro André Mendonça será o relator das investigações relacionadas aos repasses de Vorcaro. Esta decisão ocorreu após pedido do deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) para que o ministro Alexandre de Moraes conduzisse a apuração, devido à suspeita de que parte dos recursos poderia ter sido usada para custear despesas do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, onde reside desde 2025. Entretanto, Mendonça, que já é responsável pelos inquéritos do caso Master, ficará à frente da investigação.
A PF também avaliará se houve contrapartida política em troca dos valores repassados, enquanto Flávio Bolsonaro nega irregularidades, afirmando que apenas solicitou financiamento privado para a produção.
Investigação sobre emendas parlamentares
Paralelamente, uma terceira linha de investigação foca na possível destinação de emendas parlamentares a entidades ligadas à produtora do filme. Essa apuração preliminar, conduzida pelo ministro Flávio Dino desde maio, deve evoluir para inquérito. Há suspeitas de que deputados do PL, incluindo ex-deputados e parlamentares como Bia Kicis e Marcos Pollon, tenham direcionado recursos públicos para organizações ligadas à empresária Karina da Gama, responsável pela produtora Go Up.
Além disso, o deputado Mario Frias, envolvido diretamente na produção, teria firmado contratos com empresas da empresária utilizando verbas da Câmara. A Controladoria-Geral da União (CGU) também realiza auditoria para acompanhar a aplicação desses recursos. Todos os envolvidos negam as acusações de irregularidade.
Essas investigações reforçam o acompanhamento institucional sobre a origem e o destino dos recursos vinculados à produção do filme ‘Dark Horse’, evidenciando a importância da transparência e da conformidade legal em financiamentos culturais e uso de recursos públicos.
