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Economia

Ministério Público solicita suspensão urgente do concurso da Polícia Militar de Goiás

O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) protocolou um pedido urgente junto ao Judiciário para suspender o concurso público destinado aos cargos de soldado 3ª classe e cadete da Polícia Militar de Goiás. A solicitação, formalizada no dia 21 de março, ocorre após denúncias de candidatos sobre diversas falhas e irregularidades na aplicação das provas objetivas e discursivas, realizadas em 15 de janeiro.

De acordo com a promotora responsável pelo caso, Leila Maria de Oliveira, a suspensão visa evitar prejuízos tanto aos participantes quanto à administração pública e à sociedade enquanto o processo judicial está em andamento. Além disso, o MP-GO requereu a reaplicação das provas e a divulgação de um novo cronograma oficial para todas as etapas do certame.

Em decisão liminar proferida em 31 de janeiro, a juíza Zilmene Gomide da Silva Manzoll já havia determinado a suspensão parcial das nomeações referentes aos cargos de soldado 3ª classe e cadete, aguardando decisão definitiva. Mesmo com essa medida, o concurso continuou seu curso, o que motivou o novo pedido do Ministério Público.

Principais irregularidades apontadas

O concurso, que oferece 2.420 vagas para soldado 3ª classe e 80 para cadete, contou com quase 35 mil inscritos, com provas aplicadas em Goiânia e outras 16 cidades do interior. Entre as irregularidades relatadas, destacam-se a entrada de candidatos com aparelhos celulares nas salas de prova, falhas nos cadernos de questões, suspeitas de cola, e erros no conteúdo das provas, como a menção a artigos constitucionais inexistentes.

Além disso, a promotora mencionou problemas na identificação dos tipos de prova em alguns cadernos, o que causou confusão e possível impacto na correção das avaliações. Também foram detectadas inconsistências na divulgação das listas preliminares de aprovados para o cargo de cadete, com múltiplas versões publicadas pela banca organizadora, a Fundação de Apoio à Pesquisa, Ensino e Assistência (Funrio), que alegou ter sofrido um ataque cibernético.

Repercussões e próximos passos

O Tribunal de Justiça de Goiás informou que o processo referente à liminar está em nova análise pela juíza responsável, sem previsão para decisão final. A Secretaria de Estado de Gestão e Planejamento (Segplan), organizadora do concurso, comunicou que aguardará notificação oficial para se manifestar sobre o pedido de suspensão. A Funrio, por sua vez, ainda não apresentou posicionamento formal sobre as denúncias.

O MP-GO também destacou que houve diversas alterações no cronograma original do concurso e que a falta de controle na entrada de dispositivos eletrônicos comprometeu a segurança do certame. A promotora reforçou que a sequência de falhas evidencia problemas na condução do processo e coloca em dúvida a credibilidade e a transparência da seleção.