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Brasil

Estudo associa menopausa precoce e atraso na terapia hormonal a maior risco de Alzheimer

Um estudo recente conduzido por pesquisadores do Hospital Geral de Massachusetts trouxe novos insights sobre a relação entre menopausa precoce, terapia hormonal e o desenvolvimento da Doença de Alzheimer em mulheres. Publicada na revista científica JAMA Neurology, a pesquisa revela que a menopausa precoce, definida pela cessação da menstruação antes dos 40 anos ou por cirurgia antes dos 45, está associada a um aumento do risco de demência.

A menopausa marca o fim do ciclo menstrual após 12 meses consecutivos sem menstruação, sinalizando o início da pós-menopausa. Durante essa fase, a queda na produção do estrogênio provoca diversos sintomas, incluindo ondas de calor, alterações de humor, fadiga e alterações cognitivas. Além disso, a redução hormonal impacta o organismo como um todo, aumentando o risco cardiovascular e de osteoporose.

Importância do tempo para início da terapia hormonal

A pesquisa destacou que o risco aumentado de Alzheimer não foi observado em mulheres que iniciaram a terapia hormonal logo após o início da menopausa. A terapia hormonal é reconhecida como o tratamento mais eficaz para aliviar os sintomas do climatério, mas seu efeito no cérebro ainda é objeto de estudo. A equipe do Hospital Geral de Massachusetts utilizou imagens de tomografia por emissão de pósitrons (PET) para analisar a presença das proteínas beta-amiloide e tau, biomarcadores associados ao Alzheimer.

Segundo a neurologista Rachel Buckley, altos níveis da proteína tau foram detectados apenas em mulheres que começaram a reposição hormonal tardiamente, cinco anos ou mais após a menopausa. Esse achado sugere que o atraso no início da terapia pode estar relacionado ao acúmulo dessa proteína, um dos processos patológicos da doença.

JoAnn Manson, coautora do estudo, reforça que o momento de iniciar a terapia hormonal é determinante. Quando iniciada precocemente, a reposição não apenas contribui para a proteção cardiovascular e manutenção das funções cognitivas, mas também evita o acúmulo da proteína tau, reduzindo potencialmente o risco de Alzheimer.

Contexto histórico e repercussão

Há cerca de 20 anos, o Women’s Health Initiative havia associado a terapia hormonal a um aumento no risco de demência em mulheres acima dos 65 anos, o que levou a uma restrição significativa na prescrição desse tratamento. Contudo, o estudo atual ressalta que o risco está mais relacionado ao início tardio da reposição hormonal, destacando a necessidade de revisão das orientações clínicas para mulheres na transição menopausal, especialmente aquelas com menopausa precoce.