PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Desafios e Inovações no Cuidado a Pessoas com Deficiência: Pesquisa Destaca Falta de Empatia e Suporte

A professora de sociologia Laura Mauldin, da Universidade de Connecticut, desenvolve pesquisas que analisam a influência da ciência, tecnologia e medicina na sociedade, com foco especial no cotidiano de pessoas com deficiência e seus cuidadores. A partir de sua experiência, ela evidencia a ausência de empatia e o preconceito enfrentados por esses grupos.

Antes da pandemia, Mauldin planejava realizar um levantamento presencial das adaptações domiciliares feitas para atender às necessidades de pessoas com limitações físicas e doenças crônicas. Com as restrições impostas pela quarentena, o método foi adaptado para chamadas de vídeo, solicitando que os participantes enviassem fotos e descrições das modificações em seus lares.

Essa iniciativa culminou na criação do site Disability at Home, que organiza exemplos de adaptações por cômodos da casa, destacando, por exemplo, o banheiro como o ambiente com maior número de ajustes. As soluções encontradas são simples e práticas, como etiquetas em armários para facilitar a identificação de conteúdos para pessoas com demência, além de dispositivos como carrinhos acoplados a cadeiras de rodas para auxiliar na mobilidade dentro de casa.

Dados indicam que cerca de 24% da população entre 45 e 64 anos nos Estados Unidos atua como cuidadores informais, muitos sem remuneração e recursos adequados. Paralelamente, menos de 5% das moradias são acessíveis para pessoas com dificuldades moderadas de locomoção, evidenciando uma lacuna significativa em infraestrutura e suporte.

Com vivência pessoal na área, após cuidar de sua companheira com leucemia e complicações pós-transplante, Mauldin prepara para 2025 o lançamento do livro “Care Nation” (“Nação do Cuidado”), que aborda a insuficiência de políticas e suporte para pessoas com deficiência e seus cuidadores. Em entrevista ao site Stat, ela ressalta que a desvalorização dos cuidadores está diretamente ligada à falta de reconhecimento das pessoas sob seus cuidados, apontando uma crise que reflete a ausência de empatia e, em casos extremos, hostilidade contra esses grupos.