PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 26 de abril de 2026
Brasil

Estudo relaciona sobrepeso na meia-idade a riscos de fragilidade e neurodegeneração na terceira idade

Um estudo publicado na revista científica BMJ Open destaca que o aumento de peso a partir dos 45 anos está associado a um risco maior de desenvolvimento de fragilidade na velhice. A pesquisa, conduzida por cientistas noruegueses, acompanhou 4.500 indivíduos durante 21 anos, registrando dados sobre peso, altura e circunferência abdominal para avaliar a gordura corporal.

O conceito de fragilidade, definido pela médica norte-americana Linda Fried, envolve critérios como perda de peso involuntária, redução da força de preensão manual, diminuição da velocidade de marcha, sensação de exaustão e baixa atividade física. Indivíduos que atendem a três ou mais desses critérios são classificados como frágeis, enquanto aqueles com um ou dois são considerados pré-frágeis.

Os resultados indicaram que pessoas com obesidade na meia-idade têm 2,5 vezes mais chance de se tornarem frágeis ou pré-frágeis após duas décadas, enquanto o sobrepeso dobra esse risco. O excesso de peso pode comprometer o equilíbrio e aumentar a vulnerabilidade a quedas, hospitalizações e complicações relacionadas à saúde.

Relação entre obesidade e alterações cerebrais

Outra pesquisa, realizada por cientistas da McGill University, no Canadá, e publicada no Journal of Alzheimer’s Disease, investigou a associação entre obesidade e neurodegeneração similar à observada na Doença de Alzheimer. A análise envolveu 1.300 participantes e comparou padrões de atrofia na matéria cinzenta do cérebro entre indivíduos obesos e pacientes com Alzheimer.

Os pesquisadores identificaram que o afinamento cortical, um indicador de declínio cerebral, apresenta semelhanças em ambos os grupos, reforçando a obesidade como um fator de risco para o desenvolvimento de demências. Segundo Filip Morys, PhD da McGill University, combater o sobrepeso e a obesidade na meia-idade é fundamental para reduzir as chances de comprometimento cognitivo futuro.

Esses estudos evidenciam a importância de políticas públicas e estratégias de saúde voltadas para o controle do peso corporal na população adulta, visando a prevenção de condições crônicas e a promoção do envelhecimento saudável.