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Brasil

Candiru: Análise Científica sobre o Comportamento e Interação do ‘Peixe-Vampiro’ com Humanos

O candiru, popularmente conhecido como “peixe-vampiro”, é um peixe amazônico que desperta temor devido à sua suposta capacidade de penetrar orifícios do corpo humano, especialmente a uretra. No entanto, pesquisas recentes esclarecem que esse comportamento é restrito a algumas espécies específicas e que muitos mitos populares carecem de fundamentação científica.

Espécies e hábitos alimentares

Existem diversas espécies de candiru, que podem ser classificadas em dois grupos principais: os carnívoros, que se alimentam da carne de outros peixes, e os hematófagos, que se nutrem exclusivamente do sangue. Estes últimos são os que têm maior interação com os hospedeiros, funcionando como parasitas temporários, semelhantes aos pernilongos, ao sugar sangue e depois se afastar.

Interação com humanos e atração por urina

A crença popular de que o candiru é atraído pela urina humana não encontra respaldo em estudos científicos. Uma pesquisa realizada em 2001 por instituições brasileiras e americanas avaliou a resposta dos candirus a diferentes substâncias, incluindo urina humana, amônia, aminoácidos e muco de peixe, em ambiente controlado, e não detectou evidências significativas de atração por esses compostos.

Embora exista uma hipótese de que o candiru possa confundir a ureia excretada pelos humanos com a amônia liberada nas brânquias dos peixes — substância que possivelmente utilizam para localizar suas presas — essa suposição ainda não foi comprovada cientificamente.

Capacidade visual e atração por estímulos

Estudos indicam que o candiru possui visão apurada e responde a estímulos visuais. Em experimentos, o peixe demonstrou capacidade de identificar e se aproximar de pequenos peixes em aquários, o que sugere que a presença de um corpo humano na água pode atrair sua atenção visualmente, sem necessariamente estar relacionada à emissão de substâncias químicas.

Assim, a aproximação do candiru a banhistas pode ser explicada por sua resposta a objetos visuais no ambiente aquático, e não por uma preferência ou atração por urina, como muitas vezes é divulgado.

Esses esclarecimentos contribuem para uma melhor compreensão do comportamento do candiru e ajudam a desmistificar informações populares, fundamentando o conhecimento sobre essa espécie que integra a biodiversidade dos rios amazônicos.