PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO domingo, 30 de agosto de 2026
Brasil

Ibama Embarga Mais de 3 Mil Hectares de Caatinga Desmatada Ilegalmente na Bahia

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) anunciou o embargo de 3.380 hectares de caatinga desmatados ilegalmente na região da bacia do rio São Francisco, na Bahia. A área embargada equivale a aproximadamente 3,3 mil campos de futebol.

A ação ocorreu durante a Operação Mandacaru I, iniciativa voltada ao combate do desmatamento no bioma caatinga, realizada nesta semana. Os proprietários das terras foram identificados e autuados, respondendo judicialmente por crimes ambientais, além de terem a obrigação de restaurar as áreas degradadas. As multas aplicadas ultrapassam R$ 5,8 milhões.

Contexto da Operação e Impactos Ambientais

A operação se concentrou nos municípios de Santana, São Félix do Coribe, Sítio do Mato, Coribe, Carinhanha, Serra do Ramalho e Santa Maria da Vitória. Conforme relato dos agentes federais envolvidos, o desmatamento ilegal foi motivado principalmente pela expansão de atividades agropecuárias, especialmente a pecuária, sem a devida autorização dos órgãos ambientais.

O Ibama ressaltou que o desmatamento na caatinga causa a degradação do solo, o assoreamento dos rios e a perda do habitat de diversas espécies silvestres. Além disso, contribui para o aumento da concentração de gás carbônico na atmosfera, agravando os efeitos das mudanças climáticas.

Perspectivas e Importância do Bioma

Lívia Martins, superintendente do Ibama na Bahia, informou que as ações de fiscalização e combate ao desmatamento na caatinga continuarão ao longo do ano. A data de 28 de abril marca o Dia da Caatinga, instituído há 20 anos para valorizar o único bioma exclusivamente brasileiro.

Estima-se que a caatinga ocupe cerca de 10% do território nacional, concentrando-se principalmente no Nordeste. Apesar de sua rica biodiversidade, o bioma já perdeu metade de sua cobertura original, sendo que apenas 8% da área remanescente está protegida por unidades de conservação. O bioma também é lar de aproximadamente 20 milhões de pessoas, incluindo comunidades tradicionais, quilombolas e 35 etnias indígenas.