Na cidade de Pacaraima, localizada na fronteira entre Brasil e Venezuela, cerca de 30 famílias venezuelanas vivem em acampamentos improvisados às margens da BR-174. A situação reflete o aumento no fluxo migratório e a dificuldade de acolhimento dos imigrantes no estado de Roraima.
Segundo dados da prefeitura local, aproximadamente 1,5 mil venezuelanos estão em situação de rua na cidade, o que representa cerca de 22% da população, estimada em 15 mil habitantes. Embora exista um abrigo público, este é destinado exclusivamente a imigrantes indígenas. Para atender os demais refugiados, o governo federal, por meio da Força Tarefa Logística Humanitária, está implementando o abrigo BV8, com capacidade para 500 pessoas.
Condições de vida e relatos
As famílias vivem em estruturas montadas com lonas, madeiras e papelões, cobertas por plásticos para proteção contra as chuvas frequentes na região. As temperaturas podem chegar a 16ºC durante a madrugada, agravando as condições de vulnerabilidade. Entre os refugiados, está Angélia Aguilera, de 18 anos, que reside no local com seu marido e filho de um ano há aproximadamente um mês. Eles deixaram Maturin, na Venezuela, devido à crise econômica e à escassez de alimentos e medicamentos.
Outro relato é o de Luiz Sereño, de 20 anos, que trabalha lavando carros em Pacaraima e demonstra gratidão ao Brasil, país que o acolheu. Ele mantém a esperança de melhores condições e envia recursos para sua filha que ficou na Venezuela. No entanto, a realidade cotidiana inclui dificuldades para acesso à higiene e alimentação, com muitos dependentes de doações e improvisando fogões em latas.
Contexto migratório e ações governamentais
Dados da Polícia Federal indicam que, somente no primeiro semestre deste ano, mais de 16 mil venezuelanos solicitaram refúgio em Roraima, número 20% superior ao total registrado em 2017. Estima-se que 128 mil venezuelanos tenham ingressado no país pela fronteira de Pacaraima nos últimos 18 meses, com parte retornando ao país de origem ou se deslocando para outras regiões do Brasil.
O estado conta atualmente com dez abrigos públicos que acomodam cerca de 4,6 mil pessoas. Paralelamente, o processo de interiorização, conduzido pela Força Aérea Brasileira, já transferiu mais de 800 imigrantes para outras capitais brasileiras, visando a descentralização do atendimento e a redução da pressão sobre Roraima.
