O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, iniciou uma série de encontros com líderes dos países do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) para discutir o recente acordo firmado entre Washington e Teerã. A iniciativa busca esclarecer pontos do memorando de entendimento e minimizar receios sobre o impacto do pacto na segurança e estabilidade da região.
Rubio esteve nos Emirados Árabes Unidos, Kuwait e Bahrein, países que, junto com Arábia Saudita, Catar e Omã, compõem o CCG. Essas nações mantêm alianças estratégicas com os EUA, incluindo a presença de bases militares americanas, e têm papel fundamental na arquitetura de segurança do Oriente Médio.
O acordo, assinado na última semana, prevê a criação de um fundo de reconstrução para o Irã no valor de 300 bilhões de dólares e não impõe restrições claras à capacidade balística do país persa. Esses pontos geram apreensão entre os aliados árabes, que temem um fortalecimento militar e político de Teerã, além da possibilidade de maior controle iraniano sobre rotas marítimas essenciais para o transporte de petróleo, como o Estreito de Ormuz.
Durante as reuniões, Rubio buscou equilibrar a necessidade de tranquilizar os parceiros da região sem desautorizar o acordo firmado pelo presidente Donald Trump, que mantém apoio firme ao pacto, apesar das críticas internas. Especialistas ressaltam que o histórico de postura rigorosa do governo americano em relação ao Irã pode ser usado para garantir que, em caso de insucesso do acordo, medidas mais duras serão retomadas.
Os países do CCG têm manifestado publicamente apoio a uma resolução diplomática para o conflito que se intensificou nos últimos meses, mas reservadamente expressam surpresa e preocupação com os termos do acordo, principalmente no que tange à ausência de limites para os mísseis balísticos iranianos e ao impacto do fundo de reconstrução sobre a estabilidade regional.
Além disso, há inquietação sobre o potencial aumento da influência iraniana em grupos políticos e militantes dentro desses países, especialmente no Bahrein, onde a população xiita representa uma parcela significativa e já protagonizou protestos no passado. O papel do Irã no controle das rotas petrolíferas e seu fortalecimento econômico e militar são temas centrais no debate entre Washington e seus aliados do Golfo.
