Pesquisadores das universidades de Campinas (Unicamp) e Católica de Pernambuco (Unicap) conduziram recentemente um estudo de campo para analisar a presença de uma espécie invasora de lagarto em Fernando de Noronha. A espécie Tropidurus, não nativa da ilha, foi registrada em diversos pontos do arquipélago ao longo deste ano, indicando um processo de invasão biológica.
Segundo o biólogo Felipe Toledo, especialista em anfíbios e répteis da Unicamp, a hipótese mais provável para a introdução dessa espécie é o transporte acidental junto a materiais de construção ou madeira trazidos para a ilha. A partir da chegada, os lagartos têm se dispersado pelo território de Noronha, o que motivou a visita dos pesquisadores para avaliar a extensão do fenômeno.
Riscos ao ecossistema e espécies endêmicas
Fernando de Noronha abriga um ecossistema delicado, com espécies endêmicas como as mabuyas, lagartos exclusivos da região. A presença do Tropidurus pode gerar competição por recursos como alimento e espaço, além de representar risco pela possível transmissão de doenças a fauna nativa. Toledo ressalta a importância de avaliar o impacto dessa espécie invasora para evitar desequilíbrios ambientais.
Monitoramento e controle
O grupo de pesquisa está desenvolvendo estratégias para monitorar a população do lagarto invasor e analisar possibilidades de controle ou contenção. Para isso, contam com a colaboração dos moradores locais, solicitando que fotografem e reportem avistamentos ao Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) ou diretamente à equipe científica. Esse acompanhamento é fundamental para mapear a distribuição e o crescimento da espécie.
O estudo também revive a discussão sobre espécies introduzidas anteriormente, como os tejus, que foram inseridos no século passado para controle de roedores, mas passaram a impactar aves marinhas. Atualmente, há um plano de monitoramento ambiental que carece de execução efetiva, e os pesquisadores planejam encaminhar propostas ao ICMBio para fortalecer essas ações.
