Uma pesquisa global envolvendo 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil, aponta que mais de 50% dos candidatos brasileiros recorrem à inteligência artificial para aprimorar seus currículos. O recurso é utilizado para adequar os documentos aos critérios de seleção automatizados adotados por muitas empresas.
O uso da tecnologia permite a identificação de palavras-chave e nomenclaturas específicas das vagas, facilitando a passagem dos currículos pelos sistemas de triagem eletrônica. Camila Vogel, gerente de contas que retornou ao mercado de trabalho após 17 anos na mesma empresa, exemplifica essa adaptação: utilizou a inteligência artificial para compreender os padrões atuais do mercado e ajustar seu currículo conforme as demandas.
Desafios da Padronização
Entretanto, especialistas alertam para o efeito colateral dessa prática: a uniformização dos currículos, que pode dificultar a diferenciação dos candidatos. Lucas Toledo, diretor executivo do Michael Page Brasil, destaca que a semelhança entre os documentos gera obstáculos tanto para os profissionais que buscam se destacar quanto para os recrutadores na identificação do perfil mais adequado à vaga.
O superintendente executivo do Espro, Alessandro Saade, reforça que a inteligência artificial deve ser utilizada como um apoio, não substituindo as características e experiências pessoais do candidato. Ele recomenda que, após o uso da ferramenta, o currículo seja complementado com detalhes individuais que evidenciem a trajetória profissional e as habilidades únicas do candidato.
Recomendações para Candidatos
Especialistas aconselham que os profissionais revisem cuidadosamente os textos gerados pelas ferramentas de IA, evitando a simples cópia de modelos prontos. A personalização do currículo é fundamental para destacar aspectos relevantes e autênticos da carreira.
A pesquisa também revela que o Brasil apresenta um índice superior à média global no uso da inteligência artificial no ambiente de trabalho, com 71% dos profissionais afirmando utilizar essa tecnologia, contra 64% em outros países.
