A solidão é uma questão crescente nas sociedades contemporâneas, especialmente em ambientes urbanos onde a convivência diária muitas vezes ocorre de forma superficial ou ausente. Nos Estados Unidos, um alerta recente do cirurgião-geral Vivek Murthy evidenciou a dimensão desse problema, destacando que metade dos adultos já relata algum grau de isolamento social, situação que se agravou mesmo antes da pandemia.
Origem e Propagação do Conceito
Em resposta a esse cenário, uma iniciativa originada no Reino Unido tem ganhado adesão internacional. A ideia surgiu a partir da observação de uma pessoa idosa sentada sozinha por um longo período em um parque de Cardiff, no País de Gales. A designer Allison Owen-Jones criou bancos coloridos com inscrições convidativas, indicando que o assento está disponível para quem deseja conversar. O texto em inglês, “Happy to chat bank. Sit here if you don’t mind someone stopping to say hello”, traduzido como “Banco ‘feliz por conversar’. Sente-se aqui se não se importa de alguém parar para dizer olá”, é um convite explícito para a interação.
Expansão Internacional e Adaptações Locais
Desde 2019, a iniciativa tem sido adotada em diversos países, incluindo Canadá, Estados Unidos, Austrália, Suíça, Polônia e Zimbabwe. Em cada contexto, o projeto recebe adaptações linguísticas e culturais, como o “gadulawka” na Polônia, que apresenta o convite em polonês, hebraico e inglês. No Zimbabwe, os chamados “bancos da amizade” são utilizados também para sessões terapêuticas, integrando suporte mental básico com foco em terapia cognitivo-comportamental.
Impactos e Potenciais Benefícios
Esses bancos promovem encontros que, mesmo que não resultem em vínculos duradouros, contribuem para a redução da sensação de invisibilidade e isolamento. Em países africanos como Malawi, Quênia e Zanzibar, o modelo inclui treinamentos para agentes de saúde que auxiliam na identificação e resolução de causas de ansiedade e depressão, combatendo o fenômeno conhecido localmente como “kufungisisa” – o hábito de “pensar demais”.
O movimento representa uma estratégia de baixo custo e amplo alcance para fomentar o contato interpessoal e a solidariedade nas cidades, oferecendo um espaço simbólico e físico para o diálogo e a troca humana que frequentemente se perdem no cotidiano urbano.
