PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quinta-feira, 16 de abril de 2026
Economia

Argentina registra queda nos preços de veículos apesar da ausência de isenção fiscal recente

Em meio a uma reorganização do mercado automotivo, montadoras como Volkswagen, Fiat, DS, Peugeot e Hyundai promoveram reduções significativas nos preços de seus veículos na Argentina, mesmo sem se beneficiarem da mais recente isenção tributária implementada pelo governo.

Essa movimentação está associada ao encerramento gradual do chamado “imposto do luxo”, um tributo interno que será extinto a partir de abril de 2026. A iniciativa integra o conjunto de medidas do presidente Javier Milei, que visa promover maior competitividade no setor.

Descontos expressivos para modelos selecionados

Entre os exemplos de redução estão o Porsche 911 Turbo S, que teve o preço reduzido em mais de R$ 600 mil, e o Ford Mustang Dark Horse, com diminuição próxima a R$ 200 mil. Na linha Volkswagen, o modelo Vento GLI apresentou queda de 7% no preço, fixado agora em 77,7 milhões de pesos argentinos (aproximadamente R$ 289 mil). As versões Tiguan Life e R-Line tiveram redução de 8,7%, enquanto a linha Amarok registrou cortes médios de 6%.

A Hyundai também participou do movimento, diminuindo o preço do Tucson 1.6 Turbo em US$ 2 mil (cerca de R$ 10,4 mil), com o modelo partindo agora de US$ 46 mil. A Fiat, por sua vez, adotou condições especiais de financiamento e reduziu os valores da picape Titano Endurance manual 4×2, que passou a custar 39,9 milhões de pesos (R$ 148 mil), um desconto aproximado de R$ 37 mil.

Modelos das marcas Peugeot e DS, ambas integrantes do grupo Stellantis, também tiveram seus preços ajustados para baixo, enquanto a Jeep ainda não promoveu alterações em sua tabela.

Impactos no mercado e na percepção do consumidor

Segundo o consultor Cássio Pagliarin, da Bright Consulting, a redução de preços e o aumento da disponibilidade de estoque refletem estratégias individuais das montadoras e condições externas, como a realocação de oferta observada em outros mercados, por exemplo, na China após o término dos incentivos para veículos elétricos.

Embora essa dinâmica possa diminuir as margens de lucro, as fabricantes evitam o acúmulo de estoques e buscam manter a fluidez na comercialização. No entanto, esse cenário pode gerar insatisfação entre consumidores que adquiriram veículos recentemente a preços mais elevados, acompanhada de impactos no mercado de usados, que tende a refletir cerca de 60% da redução aplicada aos carros zero quilômetro.

Assim, a desvalorização dos seminovos pode alcançar aproximadamente 3% diante de uma queda de 5% nos modelos novos, exigindo que compradores e vendedores reajustem suas expectativas e cálculos financeiros.