PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quinta-feira, 3 de setembro de 2026
Brasil

Monitoramento registra teju predando filhote de tartaruga em Fernando de Noronha

Pesquisadores que atuam em Fernando de Noronha capturaram imagens de um teju predando um filhote de tartaruga-verde (Chelonia mydas) na Praia do Leão. O registro foi obtido por meio de armadilhas fotográficas automáticas, conhecidas como câmeras trap, instaladas pelo Centro Tamar e pelo Instituto Chico Mendes da Biodiversidade (ICMBio) para monitorar os ninhos das tartarugas marinhas.

As câmeras, posicionadas em pontos estratégicos do Parque Nacional Marinho desde abril, são ativadas por sensores de movimento, permitindo registros mesmo durante a noite. De acordo com o oceanógrafo Tunan Tomé, voluntário nas instituições envolvidas, a presença de teju ao redor dos ninhos é frequente, e em pelo menos três ocasiões foi possível confirmar a alimentação desses lagartos pelos filhotes de tartaruga.

Espécie invasora e impactos ecológicos

O teju (Salvator merianae) é o maior lagarto das Américas e está presente em todo o território brasileiro. No entanto, em Fernando de Noronha, trata-se de uma espécie exótica e invasora, introduzida provavelmente no início do século XIX. Sua presença causa desequilíbrio ecológico, já que atua como predador oportunista, alimentando-se de ovos e filhotes de tartarugas, aves, lagartixas locais e outros animais.

Os pesquisadores ressaltam que o teju não consegue acessar diretamente os filhotes ainda no interior do ninho, uma vez que não alcança a profundidade onde eles se encontram. A predação ocorre quando os filhotes já estão fora do ninho, tornando o teju um predador oportunista. O controle dessa população invasora é realizado pelo Programa de Manejo de Exóticas e Invasoras do ICMBio, visando a conservação das espécies nativas e ameaçadas da ilha.

Importância do monitoramento e desafios do manejo

O uso das armadilhas fotográficas tem se mostrado uma ferramenta eficaz para compreender as dinâmicas ecológicas e o comportamento dos predadores nas praias de desova. Segundo o oceanógrafo Cláudio Bellini, do Centro Tamar, a intensa atividade do teju ao redor dos ninhos, evidenciada tanto por imagens quanto por rastros, destaca a necessidade do manejo contínuo para minimizar os impactos sobre as tartarugas marinhas.

O voluntário Tunan Tomé enfatizou a importância de parcerias e investimentos para ampliar as ações de controle da espécie invasora, considerando os custos elevados para aquisição de equipamentos e contratação de pessoal especializado. O monitoramento sistemático é fundamental para avaliar a eficácia das medidas adotadas e garantir a proteção da biodiversidade local.