PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO quarta-feira, 3 de junho de 2026
Brasil

Engenheiro do Google é indiciado por uso indevido de informações internas para apostas milionárias

Um engenheiro do Google foi detido em Nova York sob acusação de usar informações internas da empresa para realizar apostas lucrativas na plataforma Polymarket, que opera com criptomoedas. Michele Spagnuolo, cidadão italiano residente na Suíça, foi indiciado pelo procurador dos Estados Unidos para o Distrito Sul de Nova York por violação das leis contra abuso de informação privilegiada.

Segundo as investigações, Spagnuolo acessou dados de marketing do Google antes de sua divulgação pública, utilizando ferramentas internas disponíveis para os funcionários. Com essas informações, ele realizou apostas que resultaram em ganhos estimados em US$ 1,2 milhão. O Google informou que está colaborando com as autoridades e suspendeu o funcionário enquanto o caso é apurado.

Investigação e cooperação institucional

A plataforma Polymarket, que aceita apenas criptomoedas como meio de pagamento, também colaborou com as autoridades, destacando a transparência e rastreabilidade das operações em blockchain. O Federal Bureau of Investigation (FBI) foi parceiro da Procuradoria dos EUA na investigação que culminou na prisão de Spagnuolo. Ele foi liberado sob fiança de US$ 2,25 milhões.

O FBI identificou as contas do acusado na plataforma, mesmo com o uso de múltiplos perfis e criptomoedas, por meio de documentos oficiais apresentados durante o cadastro. O engenheiro, que atua na empresa há mais de 12 anos com foco em segurança da informação, iniciou suas apostas na Polymarket em 2024.

Detalhes das apostas e informações privilegiadas

Entre outubro e dezembro do ano passado, Spagnuolo realizou apostas relacionadas ao Google que totalizaram cerca de US$ 2,7 milhões, obtendo mais de US$ 1 milhão em lucros mediante o uso de dados confidenciais. Um dos casos mais notórios envolveu apostas sobre quem seria a pessoa mais pesquisada no Google em 2025. Ele apostou contra nomes como Bianca Censori e o ex-presidente Donald Trump, e favoreceu o cantor D4vd, cuja popularidade era considerada improvável pela plataforma.

Os documentos judiciais indicam que, ao realizar essa aposta, Spagnuolo já tinha conhecimento interno de que D4vd havia se tornado a pessoa mais pesquisada, informação ainda não divulgada publicamente pela empresa. Atualmente, D4vd está preso sob acusação de envolvimento em um crime grave.