PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO sábado, 13 de junho de 2026
Brasil

Estratégias para Preservação Cognitiva e Envelhecimento Saudável do Cérebro

O Centro de Longevidade de Stanford tem promovido a difusão de estudos dedicados à saúde cerebral por meio de iniciativas como clubes do livro. Entre os autores que têm contribuído para essa discussão está o pesquisador Marc Milstein, que lançou recentemente a obra “The Age-Proof Brain”, na qual aborda os avanços científicos dos últimos vinte anos sobre o declínio cognitivo e sua relação direta com hábitos cotidianos.

Milstein destaca que o estilo de vida é um fator determinante para o funcionamento cerebral ao longo do tempo. Em especial, ressalta a importância do sono regular e de qualidade. Segundo o pesquisador, durante o sono, o cérebro passa por um processo de contração que permite a eliminação de resíduos tóxicos por meio do sistema glinfático, mecanismo fundamental para a manutenção da saúde neural. Para que esse processo ocorra de forma eficaz, é necessário não apenas um número adequado de horas de descanso, mas também um ambiente completamente escuro, já que mesmo pequenas fontes de luz podem interferir nos estágios profundos do sono.

Além do sono, a alimentação equilibrada e a prática de exercícios físicos são pilares essenciais para a preservação cognitiva. A dieta recomendada, conhecida como “mind diet”, privilegia o consumo de grãos integrais, legumes, verduras e peixes ricos em ômega 3, enquanto limita o consumo de alimentos ultraprocessados. Milstein alerta também para o uso cauteloso de suplementos, recomendando exames médicos para identificar possíveis deficiências antes de iniciar qualquer suplementação. Quanto ao consumo de álcool, ele reforça as orientações da Organização Mundial da Saúde, que não estabelece uma dose segura para bebidas alcoólicas, mesmo em padrões dietéticos que incluem vinho.

Outro aspecto fundamental para a saúde cerebral é o engajamento social. Estudos indicam que o isolamento e a desconexão social estão associados a maiores riscos de declínio cognitivo. Milstein enfatiza que atividades prazerosas, como aprender uma nova língua, praticar esportes e manter conversas regulares, contribuem para o estímulo mental e a manutenção das funções cognitivas. Ele cita pesquisa com freiras idosas que, apesar de apresentarem sinais de acúmulo de proteínas associadas a doenças neurológicas, mantiveram-se cognitivamente ativas graças ao envolvimento social e atividades constantes.

Guia Prático para o Cuidado Cerebral

Para facilitar a aplicação desses conceitos, Milstein propõe o acrônimo BRAIN, que orienta práticas diárias para a saúde cerebral:

  • Balance (Equilíbrio): Exercitar o equilíbrio e monitorar eventuais alterações.
  • Recall (Memória): Realizar testes e práticas para manter a memória ativa.
  • Assessment (Avaliação): Avaliar o estado cognitivo e tratar condições como apneia do sono, que pode antecipar o declínio.
  • Intensity of walking (Intensidade da Caminhada): Praticar caminhada vigorosa por pelo menos seis a dez minutos diários.
  • Number (Idade Sentida): Refletir sobre a percepção da própria idade, pois sentir-se mais jovem está correlacionado com melhor saúde cerebral.

Essas recomendações reforçam a ideia de que o envelhecimento cerebral saudável é um processo ativo, que depende diretamente das escolhas individuais e do cuidado integral com o corpo e a mente.