Estudos realizados em 2016 por uma equipe internacional de pesquisadores, incluindo o professor Paulo Gonella da Universidade Federal de São João del-Rei (UFSJ), identificaram um comportamento inusitado da mosca-das-flores, cientificamente conhecida como Toxomerus basalis, em relação à planta carnívora do gênero Drosera.
A Drosera utiliza glândulas pegajosas que simulam gotas de orvalho para capturar insetos, funcionando como armadilhas naturais. No entanto, a mosca-das-flores demonstra a capacidade de reconhecer áreas da planta desprovidas dessas glândulas, como folhas em desenvolvimento e hastes florais, onde pousa para evitar ser capturada.
Durante experimentos, foi observado que, mesmo quando a mosca entra em contato com a mucilagem da planta, ela consegue se libertar e remover a substância pegajosa, evitando assim a captura definitiva. Esse comportamento permite que o inseto deposite seus ovos diretamente sobre a planta.
Larvas e interação com a planta
As larvas que emergem dos ovos da mosca-das-flores transitam livremente pela superfície da Drosera e se alimentam do material capturado pela planta. Embora não haja um estudo conclusivo, os pesquisadores sugerem que as larvas possuem uma substância em sua superfície que inibe a resposta da planta, evitando a ativação dos tentáculos pegajosos que normalmente prendem presas.
Essa relação representa uma dinâmica ecológica complexa, na qual a mosca-das-flores não apenas evita os mecanismos de defesa da planta carnívora, mas também utiliza seus recursos para o desenvolvimento de sua prole.
