A Polícia Federal (PF) e a Procuradoria-Geral da República (PGR) identificaram insuficiências no conteúdo preliminar da proposta de delação premiada apresentada pelo banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Em razão disso, solicitaram informações adicionais para que o acordo possa ser formalizado e analisado de forma mais aprofundada.
Em resposta a essa solicitação, a defesa de Vorcaro entregou, na última terça-feira (5), anexos contendo os detalhes da colaboração, armazenados em um pen drive. O material foi comunicado ao ministro André Mendonça, relator do caso no Supremo Tribunal Federal (STF), e será objeto de exame nas próximas semanas.
Procedimentos e análise dos termos
Na segunda-feira (4), representantes legais do banqueiro participaram de reunião breve com integrantes da PF e da PGR, ocasião em que entregaram um arquivo descrevendo sumariamente os anexos, que detalham os termos da delação divididos por temas. Esses termos correspondem às declarações que o investigado pretende formalizar para colaborar com as investigações.
As autoridades responsáveis pela apuração deverão avaliar se o conteúdo traz elementos inovadores e, caso afirmativo, se há provas que sustentem as informações apresentadas. O processo de análise deve ser demorado, especialmente porque a perícia nos aparelhos celulares de Vorcaro, apreendidos em diferentes estados, ainda está em andamento.
Contexto da investigação
A proposta inicial de delação, submetida há cerca de duas semanas, foi considerada fraca pelos investigadores, uma vez que não apresentou novidades relevantes em relação aos fatos já conhecidos no âmbito da Operação Compliance Zero, que resultou na prisão do banqueiro. Além disso, não houve menção a nomes de membros da cúpula da organização investigada, o que motivou críticas por parte da PF e da PGR.
É comum que propostas preliminares sejam rejeitadas para que as partes envolvidas ajustem o conteúdo antes da formalização definitiva do acordo. Enquanto isso, não há negociações em curso com a defesa de Fabiano Zettel, considerado braço-direito de Vorcaro.
Perícia nos dispositivos eletrônicos
A perícia dos oito celulares apreendidos com Vorcaro está em andamento nos estados de Brasília, São Paulo e Minas Gerais. O aparelho principal, já periciado, continha cerca de 400 gigabytes de dados e aproximadamente 8 mil vídeos. Os demais celulares, usados por Vorcaro durante prisão domiciliar, ainda não revelaram informações relevantes para a investigação.
O exame completo desses dados é considerado fundamental para confrontar as declarações do banqueiro e validar a efetividade da eventual delação. Em virtude da complexidade e volume do material, a Polícia Federal reforçou recentemente a equipe responsável pela análise, incorporando novos delegados, peritos, agentes e escrivães.
