PANORAMA NACIONAL — JORNALISMO DE ANÁLISE E CONTEXTO sábado, 13 de junho de 2026
Brasil

Importância da Integração entre Oncologia e Cardiologia para Pacientes em Tratamento Quimioterápico

Durante o VIII Congresso Internacional de Oncologia D’Or, realizado recentemente no Rio de Janeiro, foram discutidas as emergências cardiológicas associadas ao tratamento quimioterápico. As terapias oncológicas, incluindo quimioterapia e imunoterapia, podem causar efeitos adversos ao músculo cardíaco, conhecidos como cardiotoxicidade, que podem evoluir para insuficiência cardíaca.

Medicamentos como a doxorrubicina, amplamente utilizada no tratamento do câncer, têm potencial para causar danos cumulativos ao coração. Além disso, manifestações subclínicas da toxicidade cardíaca podem ocorrer sem sintomas evidentes, sendo detectadas apenas por exames específicos como o ecocardiograma com Strain e a dosagem de enzimas cardíacas.

Monitoramento e Prevenção

O acompanhamento conjunto entre oncologistas e cardiologistas desde o diagnóstico é fundamental para avaliar o risco de complicações e a necessidade de iniciar terapias preventivas com medicamentos cardioprotetores, como os beta-bloqueadores. Essa estratégia visa minimizar a ocorrência de emergências e priorizar o atendimento adequado do paciente oncológico em unidades de pronto-socorro.

As manifestações clínicas da cardiotoxicidade incluem dispneia, arritmias, isquemia miocárdica, disfunção ventricular esquerda assintomática, hipertensão arterial, doença pericárdica e eventos tromboembólicos. Além disso, a síndrome da lise tumoral, especialmente comum em leucemias, caracteriza-se por desequilíbrios eletrolíticos graves que podem levar a arritmias, disfunção renal e convulsões.

Emergências Endocrinológicas

Outro aspecto relevante abordado no congresso refere-se às emergências endocrinológicas associadas à imunoterapia, afetando glândulas como tireoide, paratireoide, pâncreas e hipófise. Essas condições exigem atenção clínica rigorosa para identificar sinais precoces e evitar complicações adicionais durante o tratamento oncológico.

O diálogo interdisciplinar e a vigilância constante são essenciais para assegurar a segurança e a qualidade de vida dos pacientes submetidos a tratamentos oncológicos, reforçando a necessidade de protocolos integrados entre oncologia e cardiologia.