O Projeto Tamar anunciou o início da temporada de reprodução das tartarugas marinhas na ilha de Fernando de Noronha, com um balanço preliminar que contabiliza 40 ninhos registrados até o momento. A expectativa dos pesquisadores é que o número total de desovas ultrapasse 300 até o final do período, previsto para junho.
A temporada 2022/2023 teve início no final de dezembro, e os primeiros filhotes devem nascer em breve, considerando o tempo médio de incubação dos ovos, que é de aproximadamente 50 dias. Na temporada anterior, foram registrados 263 ninhos, o que classifica o atual período como promissor em termos de reprodução.
Distribuição dos ninhos nas praias da ilha
A Praia do Leão concentra a maior parte das desovas, com 20 ninhos contabilizados até agora. Em seguida, a Praia do Sancho apresenta 11 ninhos. Outros locais como Cacimba do Padre, Bode, Conceição e Sueste também registraram desovas, sendo que no Sueste foram identificados dois ninhos, número próximo à média histórica da região.
Segundo o pesquisador Afonso Nascimento, do Projeto Tamar, algumas fêmeas podem tentar depositar os ovos mais de uma vez, saindo do mar e retornando caso não consigam concluir a desova em uma única tentativa. A espécie predominante na ilha é a Chelonia mydas, popularmente conhecida como tartaruga-verde. Apesar da presença da tartaruga-de-pente (Eretmochelys imbricata) em Noronha, esta não realiza reprodução na região.
Relação ecológica com tubarões-tigre
Durante o período de reprodução das tartarugas, há um aumento na presença de tubarões-tigre na área. Esses animais são predadores naturais das tartarugas, sendo capazes de romper o casco resistente dos adultos, o que os torna os principais predadores dessas espécies na ilha. Contudo, os pesquisadores afirmam que essa dinâmica faz parte do equilíbrio natural do ecossistema local, sem indicar desequilíbrio ambiental.
O ambiente marinho de Fernando de Noronha mantém sua estabilidade com a interação entre tartarugas e tubarões, confirmando a importância biológica de cada espécie no funcionamento do ecossistema.
