Uma pintura mural de mais de 600 metros quadrados foi inaugurada no centro de São Paulo para homenagear Ari Uru-Eu-Wau-Wau, líder indígena e ativista ambiental assassinado há quase três anos. A obra foi lançada durante as celebrações do aniversário da cidade e está localizada próxima ao Marco Zero, em frente à Catedral da Sé, no coração do centro histórico.
O artista responsável pela pintura, conhecido como Mundano, utilizou materiais simbólicos para a confecção das tintas: terra coletada na região do Marco Zero e cinzas provenientes de queimadas na Amazônia. Essa escolha reforça a ligação entre a arte e a causa ambiental defendida por Ari. Além de representar o ativista, a pintura incorpora grafismos tradicionais do povo Uru-Eu-Wau-Wau, destacando elementos culturais indígenas.
A obra é uma releitura da pintura “Bananal”, de Lasar Segall, e envolveu o trabalho conjunto de mais quatro artistas, que utilizaram plataformas elevatórias para alcançar toda a extensão do mural. A produção da peça levou nove dias para ser concluída, enfrentando desafios técnicos relacionados ao tamanho e à textura das tintas utilizadas.
Ao redor da imagem principal, foram inscritos nomes de centenas de indígenas e ativistas que atuam na proteção das florestas brasileiras, ampliando o alcance da mensagem da obra. Desde sua inauguração, a pintura teve ampla repercussão, com o vídeo sobre o processo artístico alcançando mais de um milhão de visualizações em um único dia.
Contexto e legado de Ari Uru-Eu-Wau-Wau
Ari Uru-Eu-Wau-Wau atuava como professor e integrante de um grupo de monitoramento ambiental dentro da Terra Indígena Uru-Eu-Wau-Wau, em Rondônia. Ele dedicava-se a denunciar a exploração ilegal de madeira em sua região, combatendo crimes ambientais e protegendo seu povo.
Em abril de 2020, Ari foi assassinado, com o corpo encontrado no dia seguinte apresentando lesões que indicavam hemorragia aguda. Apesar da prisão de um suspeito dois anos após o ocorrido, as investigações oficiais da Polícia Federal descartaram ligação do crime com atividades ambientais, posição contestada por indígenas e aliados do ativista.
A memória de Ari permanece viva na luta indígena e ambiental, tendo sido mencionada na abertura da Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP26) em 2021. Sua história também é retratada no documentário “O Território”, que aborda o cotidiano e os desafios enfrentados pelo povo Uru-Eu-Wau-Wau na defesa de suas terras.
